terça-feira, 13 de setembro de 2011

Amanhã

Se for pra morrer que seja agora
Enquanto minha história produzirá saudades e não vergonha
Em meu filho e nas pessoas que amo.

Se for pra enriquecer que seja hoje
Enquanto em meu país os políticos tem um preço
E as pessoas sem valor também.

Se for pra entristecer que seja nesse momento
Em que a felicidade não tem um valor real pra mim
E o que é real não me contenta
E o que me contenta não me seduz.

Se for pra ser sozinho que seja agora ou daqui a pouco
Enquanto minha presença ainda não é sentida
Enquanto sua presença não é por mim sentida
Enquanto nossos sentidos não nos acusam.

Se for pra me calar que assim seja
Enquanto minha garganta esconde o que o peito sente
Enquanto o grito ecoa só em pensamento
E o silêncio é algo ensurdecedor.

Se for pra me arrepender que seja da poesia
Que agora escrevo sem um amanhã
E o amanhã vai me provar sem erros
Que meu engano é pura falta de encontro.

De me encontrar em algo
De me encontrar em mim.

                                                                                Rafael Freitas


6 comentários:

  1. Maravilhoso !!!
    O que vc tem não é talento, é dom !!!

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  2. adorei sua poesia e uma coisa é, quanto mais velho, melhor.
    um beijo.
    karina mandai

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  3. Mandou bem, brother.
    O que é a vida senão uma sucessão de "se"(s)
    abraços

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  4. Se for para ser um Escritor q seja agora. Vc já está pronto, só não entendo pq não faz isso virar realidade.

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